Filomena 🇧🇷 🇵🇹 @RoqueFilomena
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Como é bom ouvir um jornalista q não seja da @GloboNews
👏 O @eduardoaffonso, mais uma vez brilhante. Bom dia, combatentes do Exército da Democracia! Eduardo Affonso, Facebook (25/10/2026) Daqui a pouco é hora de irmos para as trincheiras defender o país contra a ameaça do fascismo, representada por José Serra. Ops, desculpe, errei a data: isso foi em 2002. A luta é contra o fascista Geraldo Alckmin. Não, não, foi mal: ele era fascista em 2006, mas regenerou. A batalha de hoje é contra o fascismo de Serra, de novo. Mas isso não foi em 2010? Foi. É outro fascismo o que será derrotado hoje, o de Marina Silva. E o nazismo de Aécio. Peralá, isso foi em 2014. Deixa eu pegar o calendário e começar de novo. Temos de derrotar o fascista Michel Temer, no golpe fascista contra a companheira presidenta. Pois é, o Temer não era fascista em 2014, mas sabe como é, a pessoa pega fascismo sem que a gente perceba. Vamos enfrentar o fascismo de Jair Bolsonaro. Isso! Esse é fascista-raiz. Ah, mas não é mais 2018. Não importa, ele vai continuar ainda mais fascista (e golpista) em 2022. OK, agora acertei o calendário: estamos em 2026. Já derrotamos o fascista Zema, o fascista Caiado, o fascista Cury, o fascista Renan e o fascista Ruy. Falta o fascista-baby, Flávio. Poderiam ter sido os fascistas Eduardo Leite, Ratinho Júnior, Simone Tebet, ou, lá atrás, os fascistas Tancredo Neves, Ulysses Guimarães. Sim, tudo fascista. Tenho de rever aqui, mas acho que até o Brizola era fascista. E como saber se alguém é fascista? Simples: só olhar o número na urna: se não for o nosso, é fascista. Ou, para a coisa não ficar muito monótona, nazista. Ou nazifascista, porque pode parecer que “fascista” é um carimbo que a gente sai aplicando em todo mundo que ousa disputar uma eleição contra a gente. Sim, ganhamos do fascismo em 2002, 2006, 2010, 2014 – mas sabe como é, 16 anos é muito pouco para uma democracia crescer forte e saudável, à prova de fascismo. E teve o golpe de 2016. E a inexplicável vitória fascista de 2018. Mas tornamos a derrotar o fascismo em 2022 e precisamos derrotá-lo de novo em 2026, 2030, 2034 e 2038. Porque se o fascismo vencer acaba a democracia. É a barbárie. Nós somos a civilização. Nós defendemos os direitos da maioria (nós) e das minorias (nós também). Quem estiver contra nós é contra a maioria, contra a minoria, contra a democracia. Logo, é fascista. Então, companheiro eleitor, vá logo para a sua seção eleitoral (há previsão de uma chuva fascista hoje) e, como já ganhamos de lavada (segundo as nossas pesquisas) mas as pesquisas fascistas apontam um empate técnico (fascista, obviamente), converse e tente virar o voto daqueles fascistas que não nos aceitam como o Caminho, a Verdade e a Vida. Convença-os de que ninguém chega à Democracia senão por nós. A batalha final começa agora às 8h. Estejamos a postos para combater as bestas fascistas do Apocalipse eleitoral. Exija que todos os seus conhecidos declarem voto. Exponha publicamente os fascistas do seu prédio, do seu trabalho, da sua rua. Xingue desconhecidos nas redes sociais. Ninguém solta a mão de fascista nenhum até que ele tenha reconhecido nossa superioridade moral (e que precisa ser também numérica, ou a Democracia está perdida). Abaixo o fascismo. Abaixo o totalitarismo. O amor vencerá o medo. ~ (Isto é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos reais verídicos e acontecidos terá sido mera coincidêndia. Fascista, naturalmente.)
Deixem Dona Ermínia falar!!!
Tinha prometido um posicionamento político... hoje tive a oportunidade de escrever esse artigo de opinião publicado na @folha Agradeço a oportunidade! www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/1…
Bom meus caros seguidores consagrados do MEI, não quero ser o porta voz de uma má notícia, mas preciso ser sincero, não me atirem pedras, sou apenas o mensageiro e vou explicar para vocês o que o verme fez hoje. Ele lançou o programa “MEI ENGANA QUE EU GOSTO”. O seguinte, o que ele propôs hoje foi uma renuncia fiscal , e aí depende de um projeto de lei que deverá ser aprovado pelo Congresso, mas o governo precisa indicar a fonte de custeio para esta desoneração , e a LOA já foi encaminhada para o congresso em 14/09/26, ou seja, isto não estava lá, então de onde ele vai tirar dinheiro para fazer esta renuncia fiscal? Simplesmente não existe! Vocês serão enganados, lamento mas é a verdade! É o programa “MEI ENGANA QUE EU GOSTO”
Lygia Maria está coberta de razão, mas acho que perde seu precioso tempo. Citar a excelente Camille Paglia para a esquerda tupiniquim, por exemplo, é jogar pérolas aos porcos…
O ENSAIO GERAL DA INDIGNAÇÃO SELETIVA O que vimos ontem é apenas um aperitivo. Lula sendo derrotado oficialmente, preparem-se para muito mais quebra-quebra, depredação e, sobretudo, para o espetáculo de uma esquerda tentando justificar a própria violência em nome da democracia. O que aconteceu nas duas estações de metrô após a manifestação na Avenida Paulista oferece uma pequena amostra do repertório político e retórico que poderemos testemunhar nos próximos meses. Luciano Carvalho é apenas um exemplar mirim desse ecossistema. Um militante que transformou a falsa simetria em método e cuja especialidade é inventar uma controvérsia que ninguém levantou, apresentar-se como alguém corajoso o suficiente para superá-la e, no processo, diluir a responsabilidade política de quem deveria estar criticando. Reparem na escolha das palavras. No 8 de janeiro, houve a “destruição dos Três Poderes”, praticada pelos “bolsonaristas”. Uma linguagem grandiloquente, com identidade política explícita e responsabilidade coletiva. Ontem, porém, tivemos apenas o “vandalismo de alguns manifestantes”. Subitamente, desaparecem a filiação política, a indignação monumental e os adjetivos apocalípticos. Sobram uns indivíduos anônimos que, aparentemente, estavam passeando pelo metrô e se excederam na manifestação de seus sentimentos democráticos. É uma ginástica semântica extraordinária. Quando o adversário depreda, a democracia corre perigo. Quando os seus depredam, alguns manifestantes cometem excessos. O vocabulário muda conforme a conveniência de quem segura o dicionário. A memória também parece sofrer desse curioso transtorno seletivo. Em 2016, depois do impeachment de Dilma Rousseff, manifestações contra o governo Temer deixaram um rastro de destruição na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Prédios públicos depredados, instalações invadidas, carros incendiados. Em 2017, outra manifestação contra Temer terminou com ministérios atacados e incendiados. O patrimônio público já conhecia a fúria de manifestantes de esquerda muito antes de janeiro de 2023. Isso é o mecanismo de quem trata a depredação adversária como um atentado à civilização e encontra uma infinidade de circunstâncias atenuantes para a depredação ideologicamente conveniente. A palavra “democracia”, na boca dessa militância, tornou-se um salvo-conduto retórico. Invocá-la parece conferir respeitabilidade automática a qualquer manifestação, por mais autoritária ou destrutiva que seja sua conduta. O patrimônio público pode ser destruído, desde que a causa seja apresentada como suficientemente virtuosa. E Luciano ainda oferece sua pequena aula de superioridade moral: “você pode criticar” os dois episódios. Ora, quem disse que não pode? Quem estabeleceu essa proibição? É preciso inventar um dilema inexistente para depois posar de adulto sensato diante dele. A pergunta deveria ser outra: por que Luciano não consegue condenar a depredação de ontem sem antes convocar os bolsonaristas para dividir a vergonha? Porque essa é a função da falsa simetria. A referência ao 8 de janeiro entra como um amortecedor moral, uma espécie de caução ideológica que permite ao militante criticar o próprio campo sem correr o risco de parecer realmente contrário a ele. Quando a derrota eleitoral se confirmar, a mesma construção poderá ganhar versões muito mais sofisticadas nas mãos de jornalistas como Mônica Bergamo, Reinaldo Azevedo e Daniela Lima. No repertório infantilizado dessa militância, a democracia tem uma curiosa propriedade: é frágil demais para suportar o vandalismo do adversário, mas suficientemente resistente para sobreviver ao vandalismo dos amigos. Luciano não está ensinando ninguém a condenar duas depredações. Está demonstrando como se condena uma delas sem deixar de protegê-la. E, se a violência política voltar às ruas, convém prestar tanta atenção aos que quebrarem o patrimônio público quanto aos que aparecerem depois para consertar, com palavras, a reputação dos responsáveis.
Galera, você pode criticar a destruição dos Três Poderes feito pelos bolsonaristas e também criticar o vandalismo de alguns manifestantes nos metrôs de ontem.
O POVO VIU DEMAIS. LULA NÃO VIU NADA. O brasileiro passa mais de nove horas por dia na internet. A propaganda continuou falando, mas o senso comum aprendeu a responder. O grande divisor de águas desta eleição não é apenas o que a pasmagem dos analistas está apontando: a entrega pífia em relação às expectativas do terceiro governo Lula, a inédita teia de corrupção que amarrou a Suprema Corte e deixou o cidadão atônito, o escândalo do Master corroendo as instâncias máximas do Judiciário e da Polícia Federal; tampouco é apenas o que faz qualquer governo desabar na vala comum: inflação, carestia, endividamento e insegurança pública. Há um fator muito mais profundo, quase ontológico: a revanche do óbvio. O PT ergueu uma colossal máquina de propaganda durante cinco anos para voltar e se perpetuar no poder. A narrativa suja funcionou para a manobra de retorno, mas feneceu sob o peso da realidade cotidiana. Você já sabe que a mentira é a matéria-prima do PT — sendo a inversão e a invenção da linguagem o produto mais sofisticado dessa indústria — e agora assiste à reação à derrota, carregada de instrumentalização cínica dos fatos. Algo que não se via desde o impeachment que eles fraudam chamando de golpe, quando também proliferaram as mais delirantes fake news para encobrir a hecatombe econômica que eles mesmos pariram. A perversidade dessa operação está em alterar o significado das palavras para que os fatos possam ser julgados segundo a conveniência de quem os descreve. A linguagem deixa de explicar a realidade e passa a exigir que a realidade se submeta a ela. Mas o que prevaleceu foi a rocha dura do senso comum. Naquela época, num Brasil pré-bolsonarista, o povo foi às ruas sem nenhum líder messiânico para ditar a palavra de ordem. O instinto básico bradou: "Vocês roubam demais, gastam demais e nos sugam até o tutano". Isso se condensou organicamente em torno de um outsider a quem ninguém dava crédito de que pudesse vencer e governar, mas que ganhou força nas trincheiras do WhatsApp — a maior campanha de guerrilha digital em massa da história. Milhões estavam unidos em grupos compartilhando a nova liturgia do homem comum: o bolsonarismo. O curioso é que uma revolta nascida da recusa de uma religião política acabaria produzindo outra, igualmente cercada de fiéis, sacerdotes e dogmas. O tempo passou. Veio a catástrofe de uma pandemia. Ficamos desorientados, flutuando fora de órbita existencial. Quem somos? Até onde vamos? O que é a vida? E então o PT se aproveita desse vácuo de certeza, desse desamparo coletivo, e faz um rebranding cínico do líder condenado. Da cadeia ao Planalto, a reciclagem do mito de barro. O que se viu nesses últimos quatro anos foi um choque de arquétipos na imaginação política brasileira. Se em 2022 colaram artificialmente em Bolsonaro os rótulos de genocida, golpista e louco, em Lula procuraram esculpir o grande democrata, o patriarca bondoso, o salvador da República. O problema é que o povo assistiu à erosão sistemática da democracia real pelas mãos da própria cúpula que prometia salvá-la. A imagem do democrata foi sendo corroída pela concentração de poder, pela sanha autoritária e pelo inchaço do Estado. O arquétipo construído para representar a salvação democrática começou a se desfazer diante daquilo que pretendia justificar. O que desfilou diante da nação foi o cadáver político de um ex-presidente que um dia entregou muito — graças à conjuntura internacional favorável e ao dever de casa de FHC —, tentando empurrar o mesmo produto velho, requentado, mofado como ele próprio. E para isso trouxe gente que cheirava a mofo. Ou perfumada demais: a elite progressista. Essa aristocracia moral que conhece todas as palavras da justiça social, domina o vocabulário da diversidade, discute a dignidade humana com entusiasmo acadêmico e parece cada vez menos interessada em compreender o brasileiro que não frequenta seus círculos de reconhecimento. O povo, sentindo a dor no bolso, no mercado, no boleto e no tédio da vida online, não hesitou. Lula ignora um dado cabal: segundo o levantamento internacional Digital 2025, da @wearesocial e @Meltwater, com dados da GWI, o usuário brasileiro de internet com 16 anos ou mais passa, em média, 9 horas e 9 minutos por dia conectado, o segundo maior tempo do mundo entre os países pesquisados. E ele achou que manter cerca de 20 milhões de famílias sob a coleira do assistencialismo resolveria o drama nacional. Como se a dependência de um benefício garantisse, por gratidão ou obrigação, a fidelidade política de quem o recebe. Foi um desastre. E aí está o pecado original do PT: ele não perdeu por falha de comunicação. Perdeu porque deixou o brasileiro tempo demais diante da tela. E ali, na praça pública digital, a direita, o isento e o cidadão comum se organizaram; mais do que isso, as pessoas recompuseram o senso comum. Todo mundo passou a falar do que sufoca: a inflação, o endividamento, a febre do tigrinho, a violência urbana, o celular roubado na esquina. A realidade nunca foi tão crua para o brasileiro diante da tela — inclusive aquele que se espreme no ônibus ou no metrô depois de uma jornada exaustiva, tentando encontrar algum entretenimento antes de chegar em casa e descobrir que amanhã terá de começar tudo outra vez. Esse senso comum reapareceu na vitória acachapante do antipetismo, encarnado mais uma vez por um político sem grande densidade biográfica, afora um sobrenome pesado e o pecado mortal de ter tangenciado escândalos de corrupção. Há uma ironia quase trágica nessa escolha: o sentimento que nasceu da rejeição à velha política continua encontrando abrigo em personagens que carregam seus próprios compromissos com ela. O sobrenome Bolsonaro oferece uma identidade política pronta, assim como Lula durante décadas ofereceu a seus eleitores uma promessa de pertencimento. O antipetismo, entretanto, demonstrou que pode sobreviver ao próprio Bolsonaro. E o busílis da questão está no fato de que a propina, tal qual a mentira e a manipulação linguística, é o oxigênio do PT. Ao partido é concedida a indulgência plenária para roubar, desviar, estragar e mentir. Existe sempre uma explicação superior, uma circunstância excepcional, uma causa que precisa ser preservada. O desvio cometido pelo adversário é uma evidência de podridão moral; aquele que envolve os próprios aliados exige uma tese de doutorado, uma aula de história e uma advertência sobre os perigos à democracia. Afinal, existe o sacrifício pelo "bem maior", delira um terço do eleitorado cativo. Essa é a natureza religiosa do fenômeno. O compromisso com uma causa acaba autorizando a suspensão do julgamento moral sobre os atos praticados em seu nome. O PT pode saquear bilhões e desfrutar de uma impunidade que parece eterna. Atemporal como um poder teocrático travestido de cleptocracia. A parte mais perturbadora dessa história é que a mentira não depende apenas de quem a fabrica. Depende também de quem a compreende e resolve distribuí-la. O brasileiro instruído, o profissional esclarecido, o intelectual que conhece o funcionamento das instituições e domina o vocabulário da democracia podem reconhecer perfeitamente uma contradição e, ainda assim, preferir a interpretação que preserva seu pertencimento político. É uma forma particularmente sofisticada de autoengano: a inteligência colocada a serviço da própria conveniência. O sujeito exige provas irrefutáveis do adversário e aceita, dos seus, uma ginástica verbal capaz de fazer desaparecer aquilo que estava diante de seus olhos. Construí esta tese para dizer que, depois de uma semana em que a retina de um dos povos que mais tempo passam conectados à internet no planeta foi fustigada por um tsunami de fake news travestidas de fatos — elaboradas com um malabarismo retórico de dar inveja a um corretor de redações do Enem —, o sentimento que me interessa já não é a preocupação com a capacidade de convencimento dessas narrativas. É o nojo. O mal-estar diante de uma classe política e intelectual que continua tratando o cidadão como alguém incapaz de compreender a própria experiência, como se a realidade precisasse passar pelo departamento de comunicação de um partido antes de merecer esse nome. Por uma razão muito simples: graças à volta do cadáver do ex-pai do povo, o povo lembrou o que é real. Mesmo diante do atual desespero do aparato marqueteiro — que despeja nesta semana um volume absurdo de invencionices e ameaças fantasiosas de que Flávio Bolsonaro acabará com direitos sociais e constitucionais —, e mesmo diante da desfaçatez da esquerda ao negar novos fatos que considera irrefutáveis sobre a ligação umbilical de Lula e da cúpula petista com o esquema do Vorcaro, o castelo de cartas está ruindo. A mesma linguagem que exige prudência, contexto e presunção de inocência para os seus personagens costuma dispensar essas delicadezas quando se trata dos adversários. O espetáculo é conhecido. O que mudou foi a disposição do público para aceitá-lo. A máquina institucional, a militância de redação e o aparato cultural da esquerda continuam existindo, mas perderam contato com o spiritus temporis, o espírito do tempo. Suas narrativas já não encontram ressonância no tecido social; soam apenas como ruído oco dentro de sua própria bolha. O repertório permanece intacto, os personagens continuam se reconhecendo e se aplaudindo, mas o público que deveria recebê-los já não reage com a mesma reverência. O senso comum prevaleceu porque o zeitgeist mudou nas ruas digitais através de uma resposta imediata e horizontal. Graças à dinâmica implacável das caixas de comentários e à ascensão de um exército de criadores de conteúdo orgânicos — influenciadores comuns, sem amarras comerciais, empurrados pela própria tendência algorítmica de comentar os assuntos do momento —, a mentira oficial passou a ser sumariamente desmantelada pelo humor popular. O homem que capina o mato no interior do Nordeste, o trabalhador do agro, a mulher da favela, o pequeno comerciante, o entregador, o sujeito que mostra o preço dos produtos no supermercado. Gente que não precisa da autorização de jornalistas, intelectuais ou dirigentes partidários para interpretar o que vive. O algoritmo, indiferente ao prestígio acadêmico e às hierarquias culturais, pode dar a uma dessas pessoas uma audiência superior à de uma redação inteira. E então acontece o constrangimento: a autoridade institucional continua falando com solenidade, enquanto o brasileiro responde com um meme. Uma explicação construída durante horas pode ser recebida com uma piada de oito segundos. A linguagem oficial exige reverência; a linguagem popular oferece gargalhadas. Uma coisa é enfrentar um adversário indignado. Outra, muito mais desagradável, é descobrir que o público começou a rir de você. Essa massa de cidadãos falando de política com ironia, sarcasmo e memes diluiu a narrativa oficial com uma eficácia devastadora, fazendo muito mais pelo bom senso do que qualquer editorial burocrático da imprensa tradicional. Nunca a sátira e o meme foram armas tão viscerais para restabelecer a verdade nua e crua na praça pública. E há uma ironia quase macabra nessa história: a maior contribuição para esse despertar veio do próprio personagem que a máquina de propaganda passou cinco anos tentando ressuscitar. Por uma razão muito simples: graças ao retorno do cadáver do ex-pai do povo, o povo lembrou o que é real.
Há uma segunda eleição acontecendo depois da eleição. A primeira foi aquela vulgar, com urna, fila, título, voto, números. A segunda é mais sutil: nela se decide se o eleitor tinha o direito moral de votar como votou. Big tech, Globo e Trump podem explicar a derrota, mas não resolvem o problema metafísico que ela criou. É preciso explicar por que aquele voto não merece ser levado a sério, e entra o velho guarda-roupa da política, reformado para 2026: fascista, miliciano, racista, homofóbico, transfóbico, machista, inimigo das mulheres, dos negros, dos gays, dos pobres, da democracia e, agora, também dos palestinos. O adversário deixa de ser alguém que apresentou outra oferta política e passa a representar uma falha civilizatória. Foi assim com o PSDB durante anos. O tucano era neoliberal, entreguista, inimigo do povo. O vocabulário envelheceu, mas a função permaneceu: retirar do adversário a condição de alternativa aceitável e colocá-lo fora do campo moral antes mesmo de a disputa começar. Hoje o kit é identitário. Se você é gay e vota à direita, votou contra si mesmo. Se é negro e vota à direita, alguma coisa falhou em sua consciência. Se é mulher e vota à direita, ajudou quem despreza seus direitos. A identidade passa a carregar uma instrução eleitoral embutida, como aquelas etiquetas de roupa: lavar à mão, não usar alvejante, votar à esquerda. Reconhecer um negro de direita, uma mulher conservadora ou um homossexual bolsonarista como indivíduos politicamente autônomos exigiria aceitar que pessoas do mesmo grupo podem chegar a conclusões diferentes. É mais confortável tratá-los como alienados, traidores, manipulados ou vítimas de si mesmos, porque assim o indivíduo desaparece e resta a categoria, já acompanhada do voto considerado correto. É nesse ponto que o raciocínio se blinda. A doutrina concede a si própria o privilégio de decidir, antes da eleição, quais resultados podem ser reconhecidos como expressão legítima do povo. Quando o eleitor confirma aquilo que se esperava dele, sua escolha é consciência democrática; quando contraria a expectativa, procura-se a força que o desviou de sua natureza política. A realidade deixa de julgar a teoria. A teoria passa a julgar a realidade. Fatos que confirmam a premissa entram como fatos; fatos que a contradizem são reclassificados como propaganda, manipulação, algoritmo, fascismo, ignorância, religião, interesse econômico ou interferência estrangeira. A derrota não obriga a rever o diagnóstico porque já entrou no próprio diagnóstico como prova de que a manipulação foi profunda. Quanto mais gente vota contra, maior teria sido o poder da máquina que a desviou. Se poucos rejeitam o governo, são extremistas. Se milhões rejeitam, a rede de desinformação é gigantesca. O número perde a capacidade de produzir surpresa intelectual porque qualquer resultado contrário já chega interpretado antes de existir. Daí a sobrevivência desse pacote há décadas. Serra e Alckmin saíram de cena, Flávio entrou, “entreguista” perdeu utilidade, “fascista” ganhou potência, a pauta identitária acrescentou racismo, misoginia e LGBTfobia, Gaza trouxe uma camada internacional, mas a engrenagem continua exigindo que o adversário seja algo moralmente anterior e pior do que um adversário. Uma eleição perdida deveria obrigar qualquer partido a encarar milhões de pessoas dizendo alguma coisa sobre economia, segurança, impostos, governo, costumes, corrupção, fadiga, esperança, raiva ou simples rejeição. Não é necessário considerar o eleitor sábio. Basta considerá-lo autor do próprio voto. Mas esse eleitor é inconveniente demais. Ele entra sozinho na cabine, aperta os números sem consultar o manual moral e depois reaparece nos comentários como alguém enganado por TikTok, WhatsApp, Globo, Trump, igreja, agro, pastores ou Vale do Silício. Se Lula vence, o eleitor compreendeu a ameaça. Se Lula perde, alguém impediu o eleitor de compreendê-la. A urna continua soberana — desde que responda corretamente.
Lula conseguiu uma proeza política que poucos adversários seriam capazes de lhe proporcionar: transformar quatro anos de governo numa gigantesca máquina eleitoral contra si próprio. O PL venceu de maneira tão extensa que a explicação confortável da “seita bolsonarista” já não dá conta do fenômeno. O mapa se cobre de azul, verde e amarelo enquanto o vermelho se agarra ao Nordeste como último território de uma hegemonia que já foi nacional. Senado, Câmara, governos estaduais e Presidência estão contando a mesma história: o lulismo descobriu que controlar o vocabulário não significa controlar o eleitor. Durante anos, Bolsonaro transferia entusiasmo, mas não necessariamente votos. Apontava um candidato e o sujeito podia afundar mesmo assim. Agora sua chancela elege governador, senador, deputado. O homem está preso, mas sua força eleitoral circula pelo país com uma eficiência que ele próprio jamais conseguiu produzir quando ocupava o Planalto. Deve ser especialmente humilhante para quem passou quatro anos anunciando sua morte política. Lula governou cercado de gente que confundiu aplauso de auditório com consentimento nacional. Gastou, tributou, viu o custo de vida corroer salários e o endividamento apertar famílias enquanto sua corte política recitava “democracia” com a solenidade de quem oferece um canapé ao povo faminto. O brasileiro fazia conta no supermercado; Brasília fazia seminário sobre extremismo. Quando o cidadão reclamava, recebia diagnóstico. Se protestava, era radicalizado. Se desconfiava das instituições, era desinformado. Se rejeitava Lula, faltava-lhe consciência histórica. Criou-se uma democracia curiosíssima: o eleitor era soberano desde que escolhesse corretamente. Agora está escolhendo “errado” em massa. E o suposto erro está ocupando governos estaduais, engordando bancadas e avançando sobre o Senado justamente depois de anos em que o STF se tornou protagonista diário da política. A Casa que deveria funcionar como contrapeso começa a receber políticos eleitos por um eleitorado que cansou de assistir a ministros agindo como personagens centrais de um regime para o qual ninguém se lembra de ter votado. Vorcaro foi a caricatura perfeita desse Brasil: dinheiro, política, autoridades, relações cruzadas e poder econômico circulando pelo mesmo salão enquanto o cidadão comum era convidado a acreditar que enxergar promiscuidade entre essas esferas era delírio conspiratório. Lula, o PT e seus aliados passaram quatro anos tentando reduzir Bolsonaro a um cadáver político: processo, condenação, isolamento, desprezo cultural, cerco institucional. Erraram o cadáver. Prenderam o homem e soltaram o fenômeno.
Uma pessoa pode ser arrancado da sala de aula da UFRJ, espancado e ameaçados de morte dentro do campus e não aparece nenhum tipo de autoridade para impedir o crime! É assustador! Incompetência? Conivência ? Quem responde por isto ?
E se eu não quiser ? Informo que me "desaposentei" e tudo por conta do desmantelo que vive o Brasil, com um Congresso omisso e com grande parte de parlamentares temerosos por terem se desviados de condutas republicanas e com isso alvo facil das investidas de um Judiciário ( STF ) politizado envolvido por alguns ministros em maracuatias para não usar um termo mais forte em respeito a Instituição fundamerntal numa democracia. Para tanto sou candidato a deputado Federal nº 2323 por Brasísila-DF pelo CIDADANIA .
@freire_roberto Volta pra sua aposentadoria, volta.🤦🏻♂️
No dia da mulher, divulgue a declaração de uma mulher sobre o descondenado Lula
O Carnaval Institucional Tupiniquim Por Leonardo Corrêa* Pindorama sempre teve vocação para o rito. Antes mesmo de saber o que era lei, já conhecia o espetáculo. O problema começou quando a exceção deixou de ser recurso extremo e passou a ser método regular de funcionamento das instituições. Desde então, o país desfila — não mais uma vez por ano, mas em calendário permanente — num Carnaval institucional onde a Constituição virou fantasia temática, usada conforme o enredo da estação. No carnaval jurídico de Pindorama, a comissão de frente entra com passos ensaiados de virtude cívica, abrindo alas para decisões previamente coreografadas. O mestre-sala gira com solenidade retórica, protegendo interpretações criativas como se fossem tradição ancestral, enquanto a porta-bandeira ostenta, com graça performática, valores abstratos cuidadosamente dissociados do texto que deveriam representar. Tudo muito elegante, tudo muito simbólico — desde que ninguém pergunte onde foi parar a partitura original. Os carnavalescos da toga desfilam com segurança de quem conhece o regulamento — afinal, foram eles mesmos que o escreveram. Julgam, desfilam e, ao final, compõem o júri. Em Pindorama, a originalidade do modelo institucional está em permitir que os mesmos protagonistas do espetáculo se atribuam as notas, distribuam as medalhas e confirmem, em uníssono, a excelência do próprio desfile. Não há conflito de interesses; há harmonia estética. O desfile, como não poderia deixar de ser, tem seus carros alegóricos de luxo. Neles, em posições de destaque, acenam filhos, esposas e círculos próximos dos condutores do espetáculo, ostentando uma naturalidade desconcertante. Não participam do julgamento, claro — apenas desfilam. Não decidem, apenas aparecem. Em Pindorama, o poder aprendeu cedo que a proximidade também é uma forma de capital simbólico, e que nada comunica melhor a hierarquia real do que quem ocupa os lugares mais altos do carro. Mas sua participação muda a nota da pontuação. Um seis vira dez, um desfile mediano transforma-se em campeão, e a grande vencedora já não é aquela que seguiu o enredo constitucional, mas a que soube agradar o camarote certo. Nas arquibancadas, a imprensa cumpre seu papel com entusiasmo quase infantil. Entre confetes e editoriais, distribui elogios generosos à ousadia, à coragem e à sensibilidade histórica dos intérpretes do desfile. As críticas, quando surgem, vêm em tom protocolar, cuidadoso, quase envergonhado — para não atrapalhar a festa, para não parecer fora do ritmo. Em Pindorama, o jornalismo institucional aprendeu que questionar demais estraga o clima, e que o aplauso rende mais convites para o camarote do que a desconfiança. Quem ousaria, nesse ambiente, falar em competência, separação de poderes ou devido processo? Esses temas soam técnicos demais para um público treinado a preferir narrativa a limite, intenção a texto, causa a forma. No Carnaval institucional tupiniquim, decide-se com emoção e fundamenta-se com glitter. O traço mais fascinante — e mais perigoso — dessa folia permanente é a naturalização do improviso como virtude. O extraordinário já não causa espanto; o arbitrário já não pede explicações. Cada passo fora da partitura é apresentado como maturidade institucional, cada ruptura como avanço civilizatório. E assim Pindorama vai sendo redescoberta diariamente por seus próprios intérpretes oficiais, sempre certos de que entenderam o país melhor do que a própria Constituição ousou entender a si mesma. Nesse desfile contínuo, a técnica jurídica vira peça de museu e o direito passa a existir apenas enquanto coincidir com o humor dos carnavalescos do poder. Quando não coincide, é empurrado para debaixo do tapete, junto com os confetes do julgamento anterior. O problema é que confete some; precedentes ficam. E o que hoje é festa amanhã vira regra silenciosa. Todo Carnaval, dizem, acaba na quarta-feira. O institucional de Pindorama, não. Aqui, quem segura o tambor não pretende devolver o silêncio da normalidade constitucional. Afinal, governar sob música alta impede perguntas incômodas — sobretudo aquelas sobre quem desfila, quem julga, quem aplaude e desde quando a República passou a se autoavaliar em clima de folia. *Leonardo Corrêa — sócio de 3C LAW | Corrêa & Conforti Advogados, LL.M pela University of Pennsylvania, Co-Fundador e Presidente da Lexum e autor de A República e o Intérprete — Notas para um Constitucionalismo Republicano em Tempos de Juízes Legisladores
@Solangesrour sobre como se deve prosseguir quanto ao ajuste fiscal. Adorei a leitura e passo adiante.
Rodrigo Pimentel, em suas entrevistas, tem defendido que o Estado do Rio de Janeiro vive uma situação que se aproxima de um Conflito Armado Não Internacional. Isso não pode ser apenas um detalhe retórico. A afirmação é incômoda porque desmonta o mito do orgulho federativo: mostra que há guerra dentro de um país que insiste em se declarar pacífico, democrático e soberano. Lula, até outro dia, estava arrotando soberania para os coleguinhas da ONU. Se esse enquadramento fosse formalmente aceito, o Rio atuaria sob o Direito Internacional Humanitário, com obrigações formais de guerra interna. O governo federal petista, por sua vez, teria de admitir o que nega há décadas: a perda funcional de soberania sobre parte do território nacional. Um fracasso monumental de toda retórica petista do "amor venceu". Se isso acontecesse, a força policial teria de se converter em força militar legítima; e o Estado, de agente de segurança, passaria a parte em guerra. A operação deixaria de ser “repressão ao crime” para se tornar "ato de imposição da paz interna" — como sustenta Rodrigo Pimentel. O dilema é ou reconhecemos que o Rio enfrenta um poder armado paralelo (e, portanto, uma forma de guerra interna), ou continuamos fingindo que “bandidos” se combatem com boas intenções. O moralismo progressista prefere se apegar ao delírio pacifista. Um pouco — só um pouco — de realismo não faria mal para o debate público. O problema é que a simples discussão a respeito da nomeação dos fatos fere o orgulho ideológico dos que vivem de mitos e fingem não ver que, no Brasil, já vivemos tomados pela tragédia da violência há muito tempo.
Este vídeo está sendo denunciado ao Twitter por escórias feminazis. Por isso não está sendo exibido. Peço que retuítem. Além de apoiarem a laia das falsas acusadoras, ainda perseguem quem as desmascaram. Estrumes sociais psicopatas.
Vai começar 🙄 youtu.be/l2XgJfr1GGM?si…
Se você acredita que a liberdade de expressão é para você, mas não para seus oponentes políticos, você é iliberal. Se nenhuma evidência contrária poderia mudar suas crenças, você é um fundamentalista. Se você acredita que o estado deveria punir aqueles com opiniões contrárias, você é um totalitário. Se você acredita que os oponentes políticos devem ser punidos com violência ou morte, você é um terrorista.
If you believe free speech is for you but not your political opponents, you're illiberal. If no contrary evidence could change your beliefs, you're a fundamentalist. If you believe the state should punish those with contrary views, you're a totalitarian. If you believe
Eduardo Bueno, o “Peninha”, disse em tom de escárnio: “É sempre terrível, né, um ativista ser morto por suas ideias. Exceto, exceto quando é o Charlie Kirk, mataram o Charlie Kirk, ai, coitado, tomou um tiro, não sei se na cara, o Charlie Kirk, ai, é liberdade de expressão. O Charlie Kirk sabe quem é? Foi morto.Tem duas filhas pequenas, que bom pras filhas dele, né, que bom pras filhas dele, que vão crescer sem a presença de um sujeito repugnante, canalha, racista, homofóbico, ligado ao pedófilo Donald Trump.” Não há ironia espirituosa aqui. Há vileza. Há o gozo mórbido com a morte de um homem e com a orfandade de duas crianças. O que Eduardo Bueno expressa não é crítica política, mas a degradação completa do espírito humano: aplaudir o tiro, zombar do morto, rir da dor de filhas pequenas. Isso não é apenas inaceitável no plano moral; é asqueroso. Quem se regozija com a morte do outro revela mais sobre si do que sobre a vítima. Mostra-se incapaz de conviver com a divergência, reduzindo o adversário a um monstro imaginário cuja eliminação seria motivo de festa. Esse tipo de comportamento não atinge apenas a memória de Charlie Kirk. Ele corrompe a própria ideia de humanidade. Porque quando o ódio cega a ponto de rir da morte e da orfandade, já não se está diante de jornalismo ou opinião — mas da vitória da barbárie sobre a civilização. PS.: não repassei o vídeo, preferindo transcrever, para não dar palco ao autor de tamanha baixeza.
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