Para quem acha que a CazeTV é da Globo, ou que a grande revolução nas transmissões esportivas começaram em 2026, faço uma pergunta: O que um Atletiba cancelado, a Lei do Mandante, o @AthleticoPR, a LiveMode, o @Casimiro e a @CazeTVOficial têm em comum?
Provavelmente mais do que a maioria das pessoas imagina. E eu tive a sorte de acompanhar parte dessa história de dentro.
Pega uma pipoquinha que vou NARRAR essa história aqui....
Hoje parece normal abrir o YouTube para assistir futebol. Copa do Mundo, Olimpíadas, Brasileirão, Campeonato Carioca, Paulistão. Para muita gente mais jovem, parece até que sempre foi assim.
Mas não era.
Até poucos anos atrás, o futebol brasileiro era praticamente um monopólio de transmissão. A televisão concentrava a maior parte dos direitos, das receitas e da distribuição. Clubes, jornalistas e torcedores simplesmente aceitavam que aquele era o único caminho possível.
Foi nesse cenário que aconteceu o famoso Atletiba de 2017.
Athletico e Coritiba decidiram transmitir o clássico gratuitamente pelo YouTube e Facebook. Hoje parece algo banal. Em 2017 era revolucionário.
A Arena da Baixada estava lotada. Os jogadores estavam em campo. A transmissão estava pronta.
Mas o jogo foi impedido de começar.
A FPF alegou problemas de credenciamento da equipe responsável pela transmissão online. O clássico foi cancelado e virou notícia nacional.
O curioso é que a equipe escalada para produzir aquela transmissão era formada por profissionais ligados ao Esporte Interativo.
Guardem esse nome.
Porque ele reaparece mais adiante.
Dias depois, o jogo aconteceu normalmente e foi transmitido pela internet com enorme repercussão.
Só que a história não era sobre um Atletiba.
Era sobre quem controlava a distribuição do futebol.
Naquele período, o Athletico já travava outra batalha.
Enquanto praticamente todos os grandes clubes assinavam contratos de transmissão nos moldes tradicionais, o clube questionava os valores pagos e defendia maior autonomia sobre seus direitos.
Isso gerou uma consequência curiosa.
Pela regra da época, uma emissora precisava negociar com os dois clubes para transmitir uma partida. Como o Athletico frequentemente não aceitava os acordos oferecidos, muitos jogos disputados na Arena simplesmente desapareciam da televisão.
O torcedor via o Athletico jogar fora de casa.
Mas muitas vezes não conseguia assistir aos jogos em Curitiba.
Foi um período extremamente criticado.
Mas acabou preparando o terreno para o que viria depois.
Em 2021 entrou em vigor a Lei do Mandante.
Pode parecer algo técnico, mas ela mudou completamente o mercado.
Antes dela, um jogo precisava da autorização dos dois clubes envolvidos para ser transmitido.
Depois dela, o direito passou a pertencer exclusivamente ao clube mandante.
Na prática, o Athletico passou a poder decidir sozinho quem transmitiria seus jogos em casa.
E foi aí que nasceu a Furacão Play.
Uma plataforma própria criada para distribuir os jogos diretamente ao torcedor.
Eu participei desse processo.
Narrei algumas das primeiras transmissões da plataforma e o primeiro jogo exibido pela Furacão Play.
Naquele momento parecia apenas uma iniciativa alternativa.
Hoje parece um ensaio do que viria a acontecer no mercado inteiro.
E é aqui que entra outro personagem importante dessa história.
A LiveMode.
A empresa foi criada justamente por ex-executivos e profissionais que haviam passado pelo Esporte Interativo e enxergavam o mercado digital de uma forma diferente da televisão tradicional.
A LiveMode passou a operar projetos ligados ao Athletico e participou diretamente do desenvolvimento da estratégia de distribuição digital do clube.
Pouco tempo depois, essa mesma LiveMode começou a trabalhar com um criador de conteúdo chamado Casimiro Miguel.
Primeiro vieram experiências pontuais.
Depois vieram transmissões.
Depois vieram os jogos do Athletico na Twitch.
A audiência respondeu.
O mercado percebeu que existia espaço para consumir futebol fora da televisão tradicional.
O que parecia experimento virou modelo de negócio.
O que parecia nicho virou tendência.
O que parecia impossível virou indústria.
Em seguida vieram a Copa do Mundo de 2022, as Olimpíadas, os grandes direitos esportivos e a consolidação da CazéTV como uma das maiores plataformas de mídia esportiva do país.
Não estou dizendo que o Athletico criou a CazéTV.
Isso seria simplificar demais uma história muito maior.
Mas acho difícil contar a história da transformação das transmissões esportivas no Brasil sem falar do papel que o Athletico teve nela.
Porque antes da Copa do Mundo no YouTube, antes da CazéTV virar fenômeno e antes de o streaming se tornar parte da rotina de milhões de brasileiros, existia um clube em Curitiba testando caminhos que quase ninguém acreditava que funcionariam.
Link do AtleTiba de 17: youtube.com/watch?v=59PwMM…#athleticopr#cazetv#casemiro
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